Coisa de criança

Sexta foi aniversário de Jack. 30 anos 30 caixas… Esse era o slogan. Como todo aniversário dos “brothers” fazemos um som, tocando na maior parte do tempo coisas diferentes, que não rolam sempre. Pois é… quando cheguei me bati logo de cara com minha “sobrinha” Ana Sophia (5 anos), filha dos meus amigos Batata e Paty, que, como sempre, me esnobou. Insisti por diversas vezes para que ela me desse um beijo e nada. Tá… tudo bem. Tirei as coisas do carro e fui montar minha “percuteria”. Estava eu distraído, apertando uma “borboleta” que fixa alguma peça do set, quando fui surpreendido com um beijo na bochecha, desferido pela supracitada danadinha, seguido da seguinte frase:
-Tio Looooro, depois você deixa eu tocar????
Quem ensinou a ela que se pode comprar gente?

Ensinar…

fazendo Tirocínio Docente. Essa expressão que a muitos, inclusive a mim, parece estar inclusa no Código Penal Brasileiro é uma atividade obrigatória do Mestrado e pode ser “traduzida” por uma palavra muito mais usual no cotidiano da população: estágio. No final das contas estou dando aulas na graduação da Escola de música da UFBA. O processo ocorre da seguinte maneira: assumimos uma turma e somos orientados pelo professor titular da matéria, no meu caso o Prof. Dr. Pablo Sotuyo Blanco, uruguaio possuidor de um bom humor inteligente e ácido, e radicado na Bahia a diversos anos onde veio fazer seu doutorado. Geralmente a carga horária que é necessária aos tirocinístas pode ser cumprida em um único semestre e usualmente é o que ocorre, apesar de não existirem ainda regras claras para essa atividade. No meu caso, ao iniciarmos os entendimentos, Pablo propôs que eu acompanhasse todo o ano, pois trata-se de uma matéria anual, dividindo com ele as aulas, uma semana de cada um, sendo assim eu poderia ter uma idéia geral do curso do início ao fim. A matéria em questão é Instrumentação e Orquestração I. O que seria isso? Instrumentação é o estudo individual de cada instrumento, suas características principais, origem, modo de produção de som, etc, e Orquestração são as técnicas utilizadas para utilizá-los bem em conjunto, como soam cada combinação, como organizar planos e texturas orquestrais, etc. Um fato que contribuiu muito para o meu aprendizado foi que este também é o primeiro ano em que Pablo dá essa matéria, então pudemos fazer todo o cronograma de atividades, avaliações, etc, em parceria e isto me foi de grande valia.
Me considero um bom orquestrador, geralmente as coisas que escrevo soam bem e sempre fui elogiado por isso, mas quando se trata de passar para a turma, a coisa muda de figura e é nesse ponto que eu queria chegar. Talvez seja a falta de experiência em estar à frente de uma turma, e esta em particular com bons conhecimentos teóricos sobre o assunto, mas as aulas, principalmente as mais teóricas, são bastante complicadas. Além de tudo Pablo, com sua presença e bagagem enormes, geralmente domina o ambiente e eu só consigo dar a minha aula quando ele não está presente. Esse fato, apesar de parecer negativo, tem também sido bom para mim porque tenho aprendido bastante com a metodologia dele, mas me deixa meio inseguro pois não estou falando só para uma turma de alunos que, por mais que saibam, são muito menos experientes do que eu, mas também para Pablo. Creio que, apesar disso tudo, gozo de respeito e confiança da turma e do orientador.
Noto na turma que precisamos trabalhar mais alguns conceitos que não estão bem entendidos e que ficaram evidentes nos primeiros trabalhos práticos que foram passados. O principal deles é o significado do verbo “orquestrar”. Simplesmente, orquestrar é transcrever artisticamente uma obra escrita para um único instrumento com recursos polifônicos, inclusos aí os instrumentos de teclado (cravo, piano, marimba) e alguns intrumentos de cordas (violão, harpa), para um conjunto maior. O conceito parece simples, mas quais os limites entre uma orquestração criativa e um arranjo? Orquestrar Haynd e Schoënberg é a mesma coisa? E orquestrar uma peça própria? Todas essas perguntas tem respostas, mas elas geralmente são pouco objetivas e o bom-senso, em conjunto com a experiência e uma boa análise são as melhores respostas para elas.

Frederico Osvaldo (O Grude)

O dia era 20 de Janeiro de 2006. Quer dizer, era noite. Melhor, madrugada… Tinha ido ver um som d´Os My Friend e Batata me chamou pra tocar com Jaime e ele… O groove rolou punk até altas horas e o nível de sangue na corrente alcoólica estava bem abaixo dos normais quando alguém me deixou em casa (porque será que não me lembro quem foi…) . Me encaminhei cambaleante com a chave não mão e estava abrindo a porta quando senti algo estranho acontecendo com a barra da minha calça, olho pra baixo e quem vejo??? Um filhote de cachorro querendo brincar às 4 e pouca da matina!!! Consegui me desvencilhar do cão feroz que me atacava, adentrei a portaria e fui seguido por ele. Deixei a porta aberta por um tempo pra ver se ele saia, mas, como era uma noite um pouco fria, pensei em deixa-lo passar a noite na portaria para que o filhotinho não sentisse frio. O elevador chegou e entrei, quando estava prestes a parar no meu andar, olhei pra baixo e quem vejo??? Sim, ele… saí do elevador e fui seguido até a porta de casa, abri e não deu outra, ele foi entrando na minha frente como se a casa já fosse dele à muito tempo…
Essa é a história de como Fred Calabresa escolheu sua casa…

The first one!!!

Que cachaça…
Geralmente essa expressão é dita quando flagramos um náufrago da danada supracitada despejando suas alucinações nos ouvidos coitados dos que estão por perto.
Isso aqui tem essa intenção. Despejar as “alucinações” que de vez em sempre estão permeando os pensamentos desse que vos escreve… O que mais pensar de um cara que, nos dias de hoje onde a preocupação com o “futuro do bolso” é deveras intimidador, além de concluir um curso superior de música, ainda por cima vai se aprofundando pelas pós-graduações (por enquanto o mestrado) com um futuro bem claro… ser professor, se conseguir… (deixando claro o profundo respeito e admiração que tenho pelos grandes mestres que tenho e tive, principalmente na Escola de Música, cada um genial ao seu modo, mas sabemos como a classe é mal remunerada e pouco reconhecida principalmente na área de artes). É um alucinado… (ou não?!) O que esperar de um cara que quer fazer tudo e acaba não fazendo nada??? Esse espaço vai ter de tudo um pouco do que tenho vontade de fazer e vou fazendo aos atropelos: Música (“popular” e “erudita”), Poesia, Fotografia e Audio. Além disso vou tentar escrever algumas memórias (quem me conhece sabe que a minha não é das mais favorecidas) e tentar comentar alguma coisa que me chame atenção. Acho que vou postar alguns vídeos pescados por aí no tal do Iutúbi.
É isso… vou pegar o final de cada garrafa com conteúdo alcoolico que tenho por aqui, fazer um rabo de galo e botar pra dentro (ou pra fora).
Que cachaça!!!