Auto-tune e afins

Que diabos é isso???

Acho que essa é a primeira pergunta que muita gente está fazendo. Todo mundo já ouviu falar na “lenda” dos cantores que tem suas vozes afinadas por certos aparelhinhos misteriosos que tem esse incrível dom. Sim, é a tecnologia a serviço do homem!!! Não tenho nada contra a tecnologia, prova disso é que estou escrevendo num blog, gosto bastante dela e me aproveito muito dos “copy/paste” dessa vida, mas se tem uma coisa que me incomoda é o tal do Auto-tune. Tudo bem, quem não canta absolutamente nada não tem jeito (ou tem???), mas muita coisa que ouvimos em gravações por aí teriam a qualidade muito prejudicada ou talvez nem fossem parar no mercado no tempo dos equipamentos analógicos. São como as garotas da Playboy de hoje em dia, cheias de Photoshop pra tirar qualquer manchinha ou marca de celulite e criar a “mulher perfeita”. Antigamente as mulheres tinham que ser mais mulheres e os cantores mais cantores.

O tal “aparelhinho” não é realmente um aparelho tátil mas um dispositivo virtual, mais conhecido como plugin, que é usado “aberto” num software gravador multipista, como o famoso Pro tools – ou Cubase, Nuendo, Sonar, etc. O danado pode ser regulado através de controles automáticos, onde nunca ouvi resultados satisfatórios, ou manualmente, modo que já me permitiu ouvir resultados fantásticos.

A questão é: Não seria propaganda enganosa??? As pessoas estão vendendo um produto modificado eletronicamente, recurso esse usado não para adição de elementos estéticos – o áudio pode ser modificado de diversas maneiras pra se conseguir timbragens e efeitos diversos – mas para maquiar um defeito que não pôde ser corrigido no gogó, como se diz na Bahia, por deficiência ou defeito do componente que estava situado em frente ao microfone.

Tenho muita resistência em usar o tal plugin porque acho que o cantor tem que chegar no estudio ou num palco e realmente cantar – ô se eu pudesse! Pequenas desafinações são normais, somos humanos e portanto passíveis de erros, mas os ditos cantores tem que ser capazes de emitir som ao menos afinado, mesmo que sejam necessários alguns takes pra que se chegue a um bom resultado. Essa é uma das bandeiras que tenho levantado em favor da qualidade musical. É gostoso ouvir um bom cantor – agora só creio quando ouço ao vivo (e não me venha com show em DVD dizendo ser “ao vivo”). O canto é uma das formas de se fazer música mais difíceis e bonitas, por isso os cantores sempre foram tão valorizados. Devemos dar valor aos realmente bons cantores. Hoje, na era do áudio-visual – mais visual do que áudio – se dá muito valor ao “artista”, mesmo que a música que sai de suas pregas vocais (sim, o nome correto é prega vocal) muitas vezes seja digna de sair de suas pregas anais (hehehehe – desculpem, não resistí à piada), mas isso já é questão pra outros debates.

Vida longa aos grandes cantores!!!

Cabaça Groove Drum’n bass

Eu tava há algum tempo procurando uma forma de postar música aqui no blog. Era a única das coisas que faço que ainda não tinha podido colocar aqui. Achei!!!

Descobrí esse site através de uma entrevista com o criador do danado no Overmundo. É como se fosse o You Tube de músicas. Bem legal!

Essa música fiz bem despretensiosamente mas me amarro nela. Tive a idéia estudando zabumba em casa. Um dia tava com tempo sobrando e afim de gravar alguma coisa aqui nos Estúdios Dufundo (meu pequeno homestudio) e comecei a brincar. Coloquei um metrônomo, gravei uma base de zabumba e fui gravando coisas “por cima”, depois tratei tudo, fiz os loops e montei a música no Acid Pro. A qualidade técnica do áudio não tá lá essas coisas porque o Dufundo ainda era um embrião mas o resultado é legal. Ouça e comente!!!

Será????


Tava comentando um texto no Overmundo e no final acabei escrevendo um trecho que quando lí direito, com um pequena organização, virou isso:

Gosto
de poesia
assim.

Versos
curtos.
Versos-palavra.

Como
poesia
deve ser.

Mais
insinuar
que dizer.

Tem uns versos de Leminsky que adoro, já postei anteriormente, que dizem assim:

moinhos de versos
movido a vento
em noites de boemia

vai vir o dia
em que tudo que diga
seja poesia

Será que consigo mesmo? Seria isto um sinal?? OOOOOOOOOHHHHH!!!
(nem pra ser verdade…)

ps.: a foto é minha também (Morro de São Paulo, 01-01-07)

Amateur

Fiquei sabendo desse vídeo pela primeira vez através de uma comunidade de áudio do Orkut. Na verdade, a primeira produção que vi desse rapaz é um beatbox também muito interessante e engraçado chamado Hyperactive. Lasse Gjertsen (22), de Larvik na Noruega, me impressionou pela maneira inusitada e criativa de compor. Já tinha visto, e é muito comum, a composição via samples e loops de áudio, mas editar vídeo para esse fim foi a primeira vez. O que o torna ainda mais interessante é, além do método de composição, a performance extra-musical do cidadão que, junto com a edição, dá o charme da criação. Segundo as legendas do final do vídeo, o áudio é o original captado na fita de vídeo, não foram feitas alterações senão a edição cronológica básica, e ele não sabe tocar bateria muito menos piano. Apesar de não tocar os instrumentos citados ele tem uma boa noção de música e trabalha muito bem com vídeo. Muito bom! Vale a pena conferir.

Bailarina (para Érica)

Abrem-se
as cortinas.
O espetáculo
inicia-se …
dentro de mim.

Giram,
saltam,
correm
de lá
pra cá
sensações multicores.
Emoções inéditas
iluminam-se.

Baila,
linda.
Descobre
a beleza.

Baila,
ainda,
pr’eu viver
essa leveza.

Bailarina,
dança na
minha rima.
Gira na
minha lira.
Faz palco
meu coração.

Bailarina,
como bailas
se não
pisas no chão?

Ainda não tinha postado nenhuma tentativa de poesia minha… Essa fiz pra minha neguinha. São as impressões da primeira vez que a ví dançar. E foi no Castro Alves!!! Minha neguinha é foda!!!!

Carta aos artistas (drops)

“Aquele que cria dá o próprio ser, tira alguma coisa do nada – ex nihilo sui et subiecti, se diz em latim – e isto, em senso estrito, é o modo de proceder exclusivo do Onipotente. O artífice, ao contrário, utiliza algo já existente, dando-lhe forma e significado.”
“Na criação artística o homem revela-se mais do que nunca imagem de Deus e realiza esta tarefa principalmente convertendo a estupenda matéria da própria humanidade e, depois, exercendo um domínio criativo sobre o universo que o rodeia.”
“O Artista divino, com admirável condescendência, transmite ao artista humano uma faísca de sua sabedoria transcendente, chamando-o a compartilhar de sua potência criadora.”
“O artista, quanto mais consciente é de seu dom, tanto mais se sente movido a olhar a si mesmo e à toda criação com olhos capazes de contemplar e de agradecer, elevando a Deus seu hino de louvor. Somente assim pode compreender a fundo a si mesmo, sua própria vocação e missão.”
“Nem todos são chamados a ser artistas no sentido específico da palavra. Entretanto, segundo a expressão do Gênesis, a cada homem é confiada a tarefa de ser artífice da própria vida; de certo modo, deve fazer dela uma obra de arte, uma obra-prima.”

Vaticano, 4 de abril de 1999
Solenidade da Páscoa da Ressurreição
Papa João Paulo II

(pescado do Orkut de Marco Feitosa
acessado em 25/04/2007